- Monte uma cena toda em preto e branco, utilizando apenas alguns detalhes destoantes. (Outra dica pra não errar: acessórios vermelhos)
- Termine o espetáculo assim como ele começou, pra passar uma idéia de ciclo.
- Apoie sua montagem num jogo, de preferência num tabuleiro de xadrez, onde cada ator represente uma peça. Claro, conclua com xeque-mate.
- Nomeie seu espetáculo de `Processo' e não o termine NUNCA!
- Nomeie seu espetáculo de `Performance', mesmo não sabendo o que isso é direito.
- Utilize uma mesa que se transforme em tudo; ora cama, ora porta,ora parede. e mesa mesmo.
- Nada de figurinos pesados: todo mundo de cinza e descalço.
- Monte um clássico e faça a readaptação no nordeste ou na favela.
- No cenário, o chão deve ser de barro, areia, mato ou café. Algo simbólico e que suje bastante.
- Excite os 5 sentidos do público (ou 6, se conseguir), embora isso se resuma a acender um incenso, jogar água na platéia, servir vinho, encostar numa parede e mandar tomá-los no cú.
- Misture dança, teatro, música e artes plásticas e não faça nenhum dos 4.
- Coloque algum aparelho elétrico ligado. De preferência uma cafeteira.
- Diga que todo o seu processo com os atores se baseou em view point.
- Convide alguém famoso pra dizer que indica a peça no programa, mesmo sem ele nunca ter assistido.
- Monte em arena e delimite o espaço público-platéia com giz. Ah, se quiser sofisticar, filme e exiba as reações do público ao vivo num telão.
- Ensaie seus atores com yoga, karatê, ginástica olímpica, box e meditação. Menos com teatro.
- Crie maneiras de interagir com o público. Entregue fones de ouvido tocando um lounge bem blasê e/ou algum texto de auto-ajuda, enquanto os atores fazem partituras de movimento.
- Crie a sua própria trilogia.
- Coloque algum ator fazendo um depoimento pessoal no microfone.
- Pra ser contemporâneo, tem que ter secreção. Peça para o ator suar bastante ou cuspir em cena.
- Por fim, limite o número de espectadores, de preferência 3, e lote todos os dias.
É infalível!
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