quinta-feira, 14 de abril de 2011

Hoje acordei pra viver esse dia feliz!

Bem feliz, porque meu amor passou aqui, mas mais feliz porque estou livre e livre permanecerei. Quero amar o que eu puder e tudo o que eu amo agora é você.

Mas como digo sempre e volto a dizer: há coisas que não posso fazer por você. Se nem mesmo todo o meu amor – que não caberia em toda Baía de Guanabara, nem em todos os penhascos juntos, mas talvez coubesse em todas as águas do Rio São Francisco – é suficiente pra que você desfrute disso se não houver algum amor por si próprio. Que consegue (por se amar e se conhecer tanto) perceber no olhar do outro a sinceridade. Desculpe meu amor, isso que você sente pode até ser amor, mas amor que precisa ser polido, como um diamante que se tira da pedra bruta. Se eu pudesse extrair essa beleza, ah se eu pudesse... Mas infelizmente não posso. É você quem deve fazê-lo antes de ofertá-lo a mim. Pois se isso não for feito, a poeira se aloja pelos cantos e mais tempo menos tempo a dificuldade de amar puramente aumenta.

Tentar encontrar pêlo em ovo pra desfazer a mágica fantástica de um momento que de tão banal – apenas um café da manhã – se torna lindo, de dimensões imensuráveis como um orvalho em folha, pra mim é perda de tempo e principalmente, é mais uma vez a negação do amor que bate incessantemente na sua porta e você insiste em não abrir com argumentos absurdos. Absurdos, pois dizem respeito ao passado, este que não existe mais. E não é qualquer alusão ou lembrança dele que o trará de volta. Ele passou como as janelinhas na boca de uma criança que vão embora quando os dentes novos nascem. Esse vazio não freqüenta mais minhas lembranças... Já freqüentou o bastante pra eu montar esse quebra cabeça de fatos e estórias, compreender o seu funcionamento e emoldurá-lo, assim como se emoldura uma paisagem e a esquece pendurada numa parede. A imagem de uma paisagem na parede é apenas uma compreensão do que a realidade foi um dia, como uma foto, tudo parou no dia que eu compreendi. E jamais um quadro de rio poderá ter a brisa que a beira de rio deu no dia em que esta foi tirada. Da mesma forma, essa compreensão dos fatos passados jamais terá o frescor da memória recente. Eles ficaram emoldurados na minha memória, esquecidos em um quarto de estórias empoeiradas que não fazem o menor sentido.

Portanto não deixe que os fantasmas e as lembranças paralizadas no tempo te imobilizem pra descobrir a si próprio e descobrir todo amor que você tem a ofertar: tanto a você quanto a mim.

Nenhum comentário:

Postar um comentário